Cenário Externo
Fevereiro foi marcado por um ambiente internacional ainda permeado por incertezas, combinando dados econômicos mistos, tensões comerciais e mudanças na percepção dos investidores sobre o ritmo de crescimento das principais economias. Nos Estados Unidos, a atividade seguiu mostrando resiliência, especialmente no mercado de trabalho, que registrou criação de 130 mil vagas em janeiro e redução da taxa de desemprego para 4,3%. Por outro lado, alguns indicadores de atividade vieram abaixo das expectativas, como o PIB do quarto trimestre de 2025, que cresceu 1,4% em termos anualizados, parcialmente impactado pela paralisação temporária do governo federal.
A inflação segue acima da meta do Federal Reserve, o que contribui para uma postura cautelosa do banco central. O índice PCE, principal métrica de inflação acompanhada pela autoridade monetária, avançou 2,9% em doze meses, reforçando a percepção de que eventuais cortes de juros devem ocorrer de forma gradual. Ao mesmo tempo, decisões políticas e comerciais também ganharam protagonismo no noticiário global. A Suprema Corte dos Estados Unidos limitou a utilização de determinados instrumentos tarifários pelo governo, levando a uma resposta imediata do Executivo com o anúncio de novas tarifas globais, o que adicionou volatilidade ao ambiente econômico e aumentou as incertezas sobre o comércio internacional.
Cenário Local
No Brasil, fevereiro foi um mês positivo para os ativos de risco, com destaque para o mercado acionário. O principal vetor de sustentação da bolsa brasileira continuou sendo o fluxo estrangeiro. Apenas em fevereiro, o ingresso líquido de capital externo somou aproximadamente R$16,1 bilhões, um dos maiores volumes observados nos últimos doze meses. Esse movimento está em linha com uma realocação de portfólios globais em direção aos mercados emergentes pelo aumento das incertezas políticas e comerciais nos Estados Unidos.
Apesar do bom desempenho dos ativos, o mês também trouxe alguns pontos de atenção no cenário macroeconômico doméstico. O IPCA-15 de fevereiro registrou alta de 0,84%, acima das expectativas do mercado, o que trouxe alguma cautela adicional aos investidores. Ainda assim, a leitura mais detalhada dos componentes da inflação indica um processo gradual de acomodação em alguns segmentos, enquanto os serviços seguem pressionados, refletindo um mercado de trabalho ainda aquecido.
Outro elemento relevante no radar dos investidores tem sido o ambiente político. Com a aproximação do ciclo eleitoral, pesquisas e discussões sobre o cenário fiscal começaram a ganhar maior destaque, reforçando a percepção de que o ambiente político poderá desempenhar papel importante na dinâmica dos ativos brasileiros ao longo dos próximos períodos.
Renda Fixa
Nos mercados de renda fixa, fevereiro foi marcado por movimentos de fechamento nas curvas de juros tanto no Brasil quanto nos Estados Unidos, refletindo mudanças nas expectativas de crescimento, inflação e política monetária.
No caso americano, os rendimentos dos títulos do Tesouro recuaram ao longo de praticamente toda a curva, sinalizando uma revisão nas expectativas de crescimento e uma maior percepção de incerteza política e econômica. Esse movimento ocorreu mesmo em um contexto de inflação ainda acima da meta e de atividade econômica relativamente resiliente, reforçando a leitura de que o Federal Reserve deverá manter uma postura cautelosa em relação ao início do ciclo de cortes de juros.
No Brasil, a curva de juros também apresentou fechamento ao longo do mês, embora em intensidade menor do que a observada em janeiro. O movimento refletiu principalmente a consolidação da expectativa de início do ciclo de flexibilização monetária, após a comunicação do Banco Central indicar que o processo de desinflação segue em curso.
Nesse ambiente, os índices de renda fixa apresentaram desempenho positivo. O CDI rendeu 1,00% no mês, enquanto os títulos prefixados, medidos pelo IRF-M, avançaram 0,99%. Já os títulos indexados à inflação, representados pelo IMA-B, registraram alta de 1,79%, beneficiados pelo fechamento das taxas reais ao longo da curva.
Renda Variável
Nos mercados acionários, observou-se maior dispersão entre setores e regiões. O S&P 500 encerrou o mês com queda de 0,87%, enquanto o índice global MSCI AC avançou 1,20%. A temporada de resultados corporativos do quarto trimestre de 2025 trouxe números sólidos: cerca de 96% das empresas do S&P 500 já haviam divulgado seus balanços até o final do mês, com crescimento agregado de lucros de aproximadamente 14,2%, acima das estimativas iniciais do mercado.
Grande parte desse desempenho continuou concentrada no setor de tecnologia, que apresentou expansão relevante de lucros e margens. Ainda assim, algumas das maiores empresas do setor enfrentaram volatilidade em suas ações diante das expectativas de investimentos cada vez mais elevados em infraestrutura de inteligência artificial e computação em nuvem. Em termos regionais, também se observou uma rotação geográfica relevante, com as bolsas europeias superando o desempenho do mercado norte-americano. O Euro Stoxx 600 avançou 3,74% no período, enquanto entre os emergentes o MSCI EM subiu 5,41%, refletindo maior fluxo de capital para essas economias.
No Brasil, o Ibovespa avançou 4,09% no mês, encerrando aos 188.787 pontos, enquanto em dólares a alta foi ainda mais expressiva, de 6,76%. No acumulado do ano, o índice já registra valorização relevante, refletindo uma combinação de fatores domésticos e internacionais favoráveis.