Cenário Externo
No cenário internacional, os Estados Unidos seguiram no centro das atenções. Indicadores divulgados ao longo da segunda metade do mês surpreenderam positivamente, especialmente os dados de inflação e atividade. O índice de preços ao consumidor de novembro mostrou desaceleração maior do que a esperada, enquanto o PIB do terceiro trimestre confirmou um ritmo de crescimento robusto, sustentado principalmente pelo consumo das famílias, gastos do governo e investimentos ligados à tecnologia e à inteligência artificial. Esse conjunto de dados ajudou a aliviar parte das preocupações com um pouso mais abrupto da economia americana e contribuiu para uma recuperação dos mercados ao longo do mês, ainda que com movimentos heterogêneos entre regiões.
Apesar disso, dezembro também evidenciou um movimento que já vinha se desenhando ao longo de 2025: o desempenho relativo superior de outras regiões em comparação ao mercado acionário americano. As bolsas europeias se beneficiaram de anúncios de estímulos fiscais e de maiores gastos com defesa, enquanto mercados emergentes continuaram a atrair atenção em meio ao enfraquecimento do dólar ao longo do ano e à busca global por diversificação. Nos EUA, a combinação de valuations elevados, incertezas sobre política comercial e discussões em torno da independência do banco central manteve os investidores mais cautelosos, o que se refletiu em um desempenho mais contido dos principais índices em dezembro.
Cenário Local
No Brasil, continuamos com uma inflação segue convergindo para meta, mas a comunicação do Banco Central reforçou uma postura vigilante, destacando riscos inflacionários e a necessidade de manter a taxa Selic em patamar elevado por mais tempo.
Ao mesmo tempo, o mercado passou a incorporar maior risco associado ao calendário eleitoral de 2026, com incertezas fiscais ganhando espaço na precificação dos ativos. Esse contexto limitou uma reação mais positiva dos mercados locais, apesar do desempenho expressivo observado ao longo de todo o ano.
Renda Fixa
Em renda fixa, dezembro foi marcado por maior volatilidade, em meio a um ambiente externo misto e incertezas locais. Nos Estados Unidos, sinais de enfraquecimento do mercado de trabalho sustentaram novos cortes de juros pelo Fed, enquanto ruídos políticos e comerciais pressionaram os vértices longos das curvas. No Brasil, apesar da desaceleração gradual da atividade e de inflação mais comportada em bens e alimentos, o Copom manteve discurso firme. A curva doméstica reabriu, sobretudo nos prazos longos. No mês, o CDI avançou +1,22%, enquanto o IRF-M e o IMA-B registraram altas mais moderadas, de +0,30% e +0,31%, respectivamente.
Renda Variável
Já na renda variável, o Ibovespa encerrou dezembro com alta de +1,29%, coroando um ano de desempenho excepcional para a bolsa brasileira. O movimento do mês, no entanto, foi marcado por oscilações, refletindo tanto o aumento da percepção de risco local quanto o comportamento dos mercados internacionais. O fluxo de investidores estrangeiros, que foi um dos grandes motores da alta ao longo de 2025, mostrou-se mais seletivo no fechamento do ano, em linha com um cenário global de maior cautela. Ainda assim, o desempenho acumulado reforça o papel do Brasil como um dos destaques entre os mercados emergentes no período.
No exterior, os mercados acionários apresentaram resultados mistos em dezembro. O MSCI AC registrou alta de +0,94%, refletindo o desempenho positivo de várias regiões fora dos Estados Unidos. O S&P 500, por sua vez, encerrou o mês praticamente estável, com leve queda de -0,05%, após um ano de fortes ganhos. Entre os emergentes, o MSCI EM avançou +2,74%, beneficiado pelo melhor desempenho relativo de países fora do eixo americano. Esses movimentos reforçam a dinâmica observada ao longo do ano, em que a diversificação geográfica voltou a ganhar relevância para os investidores em um ambiente global mais complexo e menos uniforme.