Cenário Externo
Abril foi marcado por uma forte recuperação dos mercados globais, mesmo em meio à continuidade das tensões no Oriente Médio e aos impactos do conflito entre Estados Unidos e Irã sobre os preços de energia. O petróleo permaneceu em níveis elevados ao longo do mês, sustentando preocupações inflacionárias e reduzindo o espaço para cortes de juros em diversas economias desenvolvidas.
Os bancos centrais seguiram adotando um discurso cauteloso, diante da persistência da inflação de serviços e dos efeitos indiretos da alta do petróleo sobre a atividade econômica e as expectativas de preços.
Ainda assim, os investidores voltaram a concentrar atenção nos fundamentos das empresas, especialmente no setor de tecnologia, impulsionados por resultados corporativos acima das expectativas e pela retomada do entusiasmo em torno da inteligência artificial.
Cenário Local
No Brasil, abril foi um mês de contrastes. A bolsa local iniciou o período sustentada por forte entrada de capital estrangeiro e chegou a se aproximar novamente das máximas históricas. No entanto, ao longo da segunda metade do mês, o movimento global de rotação para ativos ligados à tecnologia e inteligência artificial reduziu o interesse relativo por mercados mais associados a commodities, como o brasileiro.
O ambiente doméstico continuou sendo influenciado pela revisão altista das expectativas de inflação e juros, principalmente após a alta dos combustíveis e a persistência de pressões inflacionárias nos serviços. O Banco Central manteve o ciclo de cortes da Selic, levando a taxa para 14,50%, mas reforçou em sua comunicação uma postura mais cautelosa para os próximos passos da política monetária.
Ao mesmo tempo, os dados de atividade seguiram mostrando resiliência, especialmente na indústria e no mercado de trabalho, ainda sustentados por uma política fiscal expansionista e pela renda mais elevada das famílias.
Renda Fixa
Na renda fixa, abril foi um mês de oscilações maiores nos juros, principalmente por causa da alta do petróleo e das preocupações com a inflação no Brasil e no exterior. Quando o mercado entende que a inflação pode demorar mais para cair, cresce também a percepção de que os bancos centrais precisarão manter os juros elevados por mais tempo. Isso impacta diretamente os preços dos títulos públicos e privados.
Mesmo nesse cenário mais desafiador, os investimentos pós-fixados continuaram entregando retornos consistentes. O CDI avançou +1,09% no mês, reforçando o papel dessa classe como uma alternativa mais estável em períodos de incerteza. Já os títulos prefixados tiveram desempenho positivo, com o IRF-M subindo +1,24%, beneficiados pelas taxas mais altas oferecidas pelo mercado. Em outras palavras, os investidores passaram a enxergar valor em travar juros elevados por prazos maiores.
Os títulos atrelados à inflação também se destacaram em abril. Com o aumento das preocupações inflacionárias, ativos desse tipo ganharam espaço nas carteiras, levando o IMA-B a avançar +1,81% no período.
No crédito privado, o ambiente continuou mais seletivo. Empresas com maior endividamento ou setores considerados mais sensíveis ao cenário econômico enfrentaram maior pressão, levando investidores a priorizarem emissores de melhor qualidade.
Renda Variável
Na renda variável, o mês reforçou a diferença de desempenho entre os mercados globais e a bolsa brasileira. Enquanto os principais índices internacionais foram impulsionados pela recuperação das empresas de tecnologia e pelas revisões positivas de lucro, o mercado local teve desempenho mais moderado, refletindo a maior sensibilidade às expectativas de inflação e juros domésticos.
Nos Estados Unidos, a temporada de resultados do primeiro trimestre trouxe números robustos, especialmente nas empresas ligadas à inteligência artificial e semicondutores, reforçando o movimento de valorização do setor de tecnologia.
Nesse contexto, os mercados internacionais registraram desempenho bastante positivo, com o MSCI AC avançando +10,03%, o S&P 500 subindo +10,42% e o MSCI EM registrando alta de +14,53%. O movimento foi particularmente forte nos mercados asiáticos ligados à cadeia global de semicondutores, como Coreia do Sul e Taiwan, beneficiados pela melhora nas perspectivas para empresas de tecnologia e pela revisão positiva de lucros globais.
Já no Brasil, os setores defensivos e financeiros ajudaram a sustentar o índice, enquanto empresas mais dependentes do ciclo doméstico e dos juros permaneceram pressionadas. Nesse cenário, o Ibovespa encerrou abril praticamente estável, com variação de -0,08%, refletindo um equilíbrio entre o fluxo estrangeiro positivo, a melhora dos lucros corporativos e o aumento das incertezas relacionadas ao cenário inflacionário e aos juros.