Cenário Externo

O mês de março foi marcado por uma mudança brusca de humor nos mercados internacionais, impulsionada principalmente pela escalada do conflito no Oriente Médio. O evento trouxe incertezas relevantes, especialmente após o fechamento do Estreito de Ormuz, uma rota estratégica para o transporte global de petróleo, elevando significativamente os preços da commodity. O preço internacional do barril do petróleo acumulou forte valorização no período, refletindo o receio de um choque de oferta com impactos diretos sobre a inflação global.

Esse ambiente gerou uma reprecificação importante das expectativas de política monetária no que tange ao corte de juros das principais economias do mundo. Nos Estados Unidos, o Federal Reserve manteve os juros estáveis, mas com uma comunicação mais cautelosa, sinalizando menor disposição para cortes no curto prazo. Como consequência, as taxas de juros globais subiram, pressionando ativos de renda variável de uma forma geral.

Cenário Local

No Brasil, o cenário doméstico foi fortemente influenciado pelo contexto global, embora com algumas particularidades. A alta dos preços de energia impactou diretamente as expectativas de inflação, levando a uma reavaliação do ritmo de cortes da taxa Selic. O Banco Central iniciou o ciclo de corte com uma redução de 0,25 ponto percentual, adotando uma postura cautelosa diante das incertezas externas.

Apesar desse ambiente mais desafiador, a bolsa brasileira demonstrou resiliência relativa. Um dos principais fatores foi o fluxo estrangeiro positivo, que permaneceu consistente ao longo do mês, superando R$ 8 bilhões segundo dados disponíveis. Esse movimento foi favorecido tanto pela atratividade relativa do Brasil quanto pela sua posição como exportador de commodities, especialmente petróleo.

Além disso, fatores políticos também começaram a ganhar relevância, com o avanço das discussões eleitorais influenciando expectativas de longo prazo. Ainda assim, o mês foi marcado por maior volatilidade e por uma percepção de risco mais elevada, especialmente nos ativos mais sensíveis ao cenário doméstico.

Renda Fixa

O mercado de renda fixa refletiu de forma clara a mudança no ambiente macroeconômico. A combinação de choque de oferta global, pressão inflacionária e maior incerteza levou a uma abertura expressiva da curva de juros, tanto no Brasil quanto no exterior.

No cenário local, esse movimento foi mais intenso nos prazos intermediários e longos, impactando negativamente os ativos de maior vencimento. Os índices prefixados apresentaram desempenho negativo, com o IRF-M recuando -0,59%, enquanto os títulos atrelados à inflação tiveram performance mais moderada, com o IMA-B registrando leve alta de +0,17%. Já o CDI apresentou retorno positivo de +1,21% no mês.

Esse comportamento reflete a reprecificação das expectativas para a trajetória da política monetária. O mercado passou a incorporar um ritmo mais lento de cortes de juros, diante da pressão inflacionária impulsionada principalmente do setor de energia. Como resultado, ativos mais conservadores e de menor vencimento voltaram a ganhar destaque relativo no período.

Renda Variável

Os mercados de renda variável enfrentaram um mês desafiador, com quedas disseminadas ao redor do mundo. Globalmente, o movimento foi marcado por uma rotação setorial clara, com investidores reduzindo exposição a ativos mais arriscados e buscando maior proteção em setores defensivos ou ligados a commodities.

Nos Estados Unidos, o S&P 500 caiu -5,0%, refletindo tanto a alta dos juros quanto as incertezas sobre crescimento e inflação. O desempenho negativo também foi observado em outras regiões, com destaque para os mercados emergentes, onde o MSCI EM recuou -13,3%. O MSCI AC, índice global amplo, apresentou queda de -7,4%.

No Brasil, apesar da queda do Ibovespa (-0,70%), o desempenho foi relativamente melhor quando comparado a outros mercados emergentes. Esse comportamento pode ser explicado, em parte, pela composição da bolsa brasileira, mais exposta a setores beneficiados pela alta das commodities, como petróleo.

O fluxo estrangeiro também teve papel importante na sustentação do mercado local, mantendo-se positivo mesmo em momentos de maior estresse. No entanto, setores mais sensíveis ao ciclo doméstico, como consumo e construção, sofreram com a revisão das expectativas de juros.

De forma geral, março foi um mês de inflexão, marcado por maior cautela dos investidores e por uma reprecificação relevante dos ativos diante de um cenário global mais incerto e desafiador.

Cenário Externo

Abril foi marcado por uma forte recuperação dos mercados globais, mesmo em meio à continuidade das tensões no Oriente Médio e aos impactos do conflito entre Estados Unidos e Irã sobre os preços de energia. O petróleo permaneceu em níveis elevados ao longo do mês, sustentando preocupações inflacionárias e reduzindo o espaço para cortes de juros em diversas economias desenvolvidas.

Os bancos centrais seguiram adotando um discurso cauteloso, diante da persistência da inflação de serviços e dos efeitos indiretos da alta do petróleo sobre a atividade econômica e as expectativas de preços.

Ainda assim, os investidores voltaram a concentrar atenção nos fundamentos das empresas, especialmente no setor de tecnologia, impulsionados por resultados corporativos acima das expectativas e pela retomada do entusiasmo em torno da inteligência artificial.

Cenário Local

No Brasil, abril foi um mês de contrastes. A bolsa local iniciou o período sustentada por forte entrada de capital estrangeiro e chegou a se aproximar novamente das máximas históricas. No entanto, ao longo da segunda metade do mês, o movimento global de rotação para ativos ligados à tecnologia e inteligência artificial reduziu o interesse relativo por mercados mais associados a commodities, como o brasileiro.

O ambiente doméstico continuou sendo influenciado pela revisão altista das expectativas de inflação e juros, principalmente após a alta dos combustíveis e a persistência de pressões inflacionárias nos serviços. O Banco Central manteve o ciclo de política monetária restritivo, sinalizando cautela diante do cenário fiscal e da resiliência da atividade.

Mercados

Enquanto os principais índices internacionais foram impulsionados pela recuperação das empresas de tecnologia e pelas revisões positivas de lucro, o mercado local teve desempenho mais moderado, refletindo a maior sensibilidade às expectativas de inflação e juros domésticos.

Nos Estados Unidos, a temporada de resultados do primeiro trimestre trouxe números robustos, especialmente nas empresas ligadas à inteligência artificial e semicondutores, reforçando o movimento de valorização do setor de tecnologia.

Nesse contexto, os mercados internacionais registraram desempenho bastante positivo, com o MSCI AC avançando +10,03%, o S&P 500 subindo +10,42% e o MSCI EM registrando alta de +14,53%. O movimento foi particularmente forte nos mercados asiáticos ligados à cadeia global de semicondutores, como Coreia do Sul e Taiwan, beneficiados pela melhora nas perspectivas para empresas de tecnologia e pela revisão positiva de lucros globais.

Já no Brasil, os setores defensivos e financeiros ajudaram a sustentar o índice, enquanto empresas mais dependentes do ciclo doméstico e dos juros permaneceram pressionadas. Nesse cenário, o Ibovespa encerrou abril praticamente estável, com variação de -0,08%, refletindo um equilíbrio entre o fluxo estrangeiro positivo, a melhora dos lucros corporativos e o aumento das incertezas relacionadas ao cenário inflacionário e aos juros.

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