Cenário Externo

Em junho, os mercados experimentaram uma montanha-russa de emoções, com a geopolítica e a política monetária dos Estados Unidos alternando-se no comando das atenções. No começo do mês, o conflito relâmpago entre Irã e Israel impulsionou o preço do petróleo Brent de cerca de 65 para quase 90 dólares o barril, reacendendo o temor de um novo choque inflacionário. Cerca de 25% do comércio de petróleo passa pelo Estreito de Ormuz, controlado pelo Irã, a simples ameaça de bloqueio – ainda que temporária – gerou picos de nervosismo. Mas assim que uma trégua foi assinada, mediada pelos Estados Unidos e por outros parceiros no Oriente Médio, o Brent recuou rapidamente para perto de 67 dólares, dissipando o risco imediato de uma alta prolongada nos custos de energia.

Com a tensão geopolítica arrefecida, o foco voltou-se para Washington. A economia americana mostrou-se resiliente o suficiente para reduzir expectativas de recessão, mesmo diante da implementação de novas tarifas comerciais. Os investidores, no entanto, seguem cautelosos: aguardam os resultados dos índices de inflação de junho e julho para confirmar se o impacto das tarifas no CPI será relevante. O Federal Reserve já admitiu que essas leituras serão decisivas antes de iniciar o tão aguardado ciclo de corte de juros. Ainda que haja pressões políticas com figuras de peso pedindo reduções imediatas (Trump), o comitê do Fed tem enfatizado a necessidade de “provas mais consistentes” de enfraquecimento da inflação antes de alterar a taxa de juros, que hoje reflete ainda preocupações com o aumento recente da dívida pública, especialmente após a proposta de lei orçamentária apelidada de “One Big, Beautiful Bill”. Essa proposta, ao prever a elevação do endividamento em trilhões de dólares, levou os juros de longo prazo a subirem – e depois voltarem a recuar diante do encolhimento dos temores inflacionários.

Enquanto isso, o dólar segue sua trajetória de enfraquecimento estrutural: o índice DXY (índice que mede o dólar frente a outras moedas fortes) atingiu mínimos não vistos em três décadas, fruto de incertezas fiscais e comerciais nos EUA, sob a gestão de Donald Trump, marcada por volatilidade e imprevisibilidade. O recuo de mais de 10% no primeiro semestre tornou a moeda americana uma das piores desempenhos internacionais, estimulando uma rotação de recursos em escala global. Investidores, antes concentrados na segurança dos títulos e ações dos EUA, passaram a explorar oportunidades em outras regiões, em busca de retornos mais atrativos e de diversificação frente a um dólar menos valorizado. Este movimento reforçou o apetite por mercados emergentes, que consolidaram em junho um ambiente favorável de fluxo de capital.

Cenário Local

No Brasil, as condições externas favoreceram a economia doméstica e os ativos locais. A depreciação do dólar, combinada à entrada consistente de recursos estrangeiros em busca de maiores retornos, colocou o país em destaque: investidores reconheceram que a valorização potencial dos papéis brasileiros supera, em muitos casos, a atração oferecida pelas bolsas norte-americanas.

Internamente, os indicadores de atividade mantiveram um tom positivo. A economia brasileira ainda cresce, mas em ritmo mais lento, com destaque para o recuo da inflação de serviços, um dos segmentos mais persistentes. Esse quadro de robustez permitiu ao Banco Central concluir o ciclo de aperto monetário, elevando a Selic para um patamar não visto em mais de 20 anos, pouco acima das expectativas do mercado.

A manutenção na taxa básica, anunciada como a última alta deste ciclo, foi bem recebida pelos agentes econômicos, que mostrou firmeza, mesmo diante de ruídos políticos e pressões do governo. O debate agora gira em torno de quando virá o primeiro corte, mas a comunicação do BC ainda não é clara. Ainda que o Copom tenha evitado discutir cortes imediatos, ressaltou que o início da redução dos juros dependerá de dados concretos sobre inflação e atividade, o que deve ocorrer apenas à medida que as condições domésticas e externas se estabilizem.

No campo político, o semestre reforçou a sensação de ingovernabilidade. A crise em torno de medidas tributárias, como alterações no IOF, expôs divergências entre Executivo e Legislativo, atrasando propostas de ajuste fiscal. Apesar disso, o presidente da Câmara tem defendido a necessidade de contenção de gastos, abrindo espaço para discussões sobre equilíbrio orçamentário. Fato é que o governo brasileiro tem gastado sem se preocupar com as consequências, em busca de aprovação política. O resultado dessa postura tem se refletido nas contas públicas: déficit crescente, promessas de arrecadação não cumpridas e mais benefícios sendo concedidos, tudo isso resultando em um rombo de quase R$ 80 bilhões no orçamento de 2025. Com o calendário eleitoral de 2026 já influenciando expectativas, ativos locais passaram a refletir a probabilidade de mudança de governo.

Renda Fixa

O mês de junho foi bastante positivo para os ativos de renda fixa no Brasil. Com a inflação surpreendendo para baixo e a perspectiva de fim do ciclo de alta da Selic, as taxas de juros futuras recuaram com força, beneficiando especialmente os títulos prefixados. O IRF-M avançou 1,78% no mês, liderando os ganhos. Os ativos atrelados à inflação também tiveram desempenho positivo, com o IMA-B subindo 1,31%. Já o CDI, entregou 1,10%.

Renda Variável

O rápido recuo do conflito entre Irã e Israel ajudou a aliviar o temor de pressões inflacionárias via petróleo, enquanto os dados econômicos mistos nos EUA reforçaram a possibilidade de início do ciclo de queda de juros ainda em 2025. Nesse cenário, os investidores voltaram a tomar risco, com destaque para o índice S&P 500, que avançou 4,96% no mês e renovou máximas históricas. O índice global MSCI AC também teve bom desempenho, subindo 4,36%, enquanto os mercados emergentes, representados pelo MSCI EM, avançaram 5,65%. A alta foi puxada principalmente pelos setores de tecnologia e comunicação, impulsionados por expectativas de lucros robustos no segundo trimestre.

No Brasil, o Ibovespa também registrou desempenho positivo em junho, com alta de 1,33% em reais e 6,5% em dólares, beneficiado pela valorização do real frente ao dólar. O bom humor dos mercados globais e o fluxo estrangeiro sustentaram o índice, mesmo diante de um ambiente político doméstico mais conturbado. Apesar do rali recente, a bolsa brasileira ainda apresenta múltiplos atrativos e segue sendo destaque entre os mercados emergentes em 2025.

Cenário Externo

Abril foi marcado por uma forte recuperação dos mercados globais, mesmo em meio à continuidade das tensões no Oriente Médio e aos impactos do conflito entre Estados Unidos e Irã sobre os preços de energia. O petróleo permaneceu em níveis elevados ao longo do mês, sustentando preocupações inflacionárias e reduzindo o espaço para cortes de juros em diversas economias desenvolvidas.

Os bancos centrais seguiram adotando um discurso cauteloso, diante da persistência da inflação de serviços e dos efeitos indiretos da alta do petróleo sobre a atividade econômica e as expectativas de preços.

Ainda assim, os investidores voltaram a concentrar atenção nos fundamentos das empresas, especialmente no setor de tecnologia, impulsionados por resultados corporativos acima das expectativas e pela retomada do entusiasmo em torno da inteligência artificial.

Cenário Local

No Brasil, abril foi um mês de contrastes. A bolsa local iniciou o período sustentada por forte entrada de capital estrangeiro e chegou a se aproximar novamente das máximas históricas. No entanto, ao longo da segunda metade do mês, o movimento global de rotação para ativos ligados à tecnologia e inteligência artificial reduziu o interesse relativo por mercados mais associados a commodities, como o brasileiro.

O ambiente doméstico continuou sendo influenciado pela revisão altista das expectativas de inflação e juros, principalmente após a alta dos combustíveis e a persistência de pressões inflacionárias nos serviços. O Banco Central manteve o ciclo de política monetária restritivo, sinalizando cautela diante do cenário fiscal e da resiliência da atividade.

Mercados

Enquanto os principais índices internacionais foram impulsionados pela recuperação das empresas de tecnologia e pelas revisões positivas de lucro, o mercado local teve desempenho mais moderado, refletindo a maior sensibilidade às expectativas de inflação e juros domésticos.

Nos Estados Unidos, a temporada de resultados do primeiro trimestre trouxe números robustos, especialmente nas empresas ligadas à inteligência artificial e semicondutores, reforçando o movimento de valorização do setor de tecnologia.

Nesse contexto, os mercados internacionais registraram desempenho bastante positivo, com o MSCI AC avançando +10,03%, o S&P 500 subindo +10,42% e o MSCI EM registrando alta de +14,53%. O movimento foi particularmente forte nos mercados asiáticos ligados à cadeia global de semicondutores, como Coreia do Sul e Taiwan, beneficiados pela melhora nas perspectivas para empresas de tecnologia e pela revisão positiva de lucros globais.

Já no Brasil, os setores defensivos e financeiros ajudaram a sustentar o índice, enquanto empresas mais dependentes do ciclo doméstico e dos juros permaneceram pressionadas. Nesse cenário, o Ibovespa encerrou abril praticamente estável, com variação de -0,08%, refletindo um equilíbrio entre o fluxo estrangeiro positivo, a melhora dos lucros corporativos e o aumento das incertezas relacionadas ao cenário inflacionário e aos juros.

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