Com uma dívida estimada em R$40bi e uma provável recuperação judicial, é possível que ocorra impacto negativo nas ações do setor bancário com o noticiário das Americanas. Ainda é pouco provável um risco sistêmico deste evento, mas efeitos pontuais devem surgir nos próximos dias.
Através de nossa análise da carteira dos fundos de investimento de ações, observamos que não houve grande impacto exceto por casos muito específicos. Por hora, há pouco risco de contaminação para o mercado de ações. Isso se da pelo fato do montante total das ações (Market Cap) da Americanas não representar uma "fatia" grande da Bolsa, e poucos fundos locais estarem fortemente posicionados nas ações da empresa.
No mercado de crédito, a história é um pouco mais complexa. A empresa tem uma grande dívida bancária e também dívida a mercado (debenture, risco sacado e etc). O mercado de crédito tem pouca liquidez (comparado ao mercado de ações) e os papéis da empresa estão operando em volume reduzido frente a exposição do mercado a empresa. Além disso, fundos de volatilidade baixa e fundos com liquidez alta de resgates (D0 a D10) sofreram perdas relevantes na marcação do papel entre 0,5% e 2% dentro de 1 dia, números elevados para este tipo de produto. Isso pode levar, eventualmente, a um movimento de resgate de produtos deste nicho, levando a uma onda de vendas de papeis High Grade (HG) e a abertura de taxas e spreads desses papéis.
No entanto, não vemos um risco sistêmico no mercado de crédito, tampouco uma onda de default ou recuperações judiciais. Por ora, Americanas parece um caso isolado.
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Cenário Externo
Abril foi marcado por uma forte recuperação dos mercados globais, mesmo em meio à continuidade das tensões no Oriente Médio e aos impactos do conflito entre Estados Unidos e Irã sobre os preços de energia. O petróleo permaneceu em níveis elevados ao longo do mês, sustentando preocupações inflacionárias e reduzindo o espaço para cortes de juros em diversas economias desenvolvidas.
Os bancos centrais seguiram adotando um discurso cauteloso, diante da persistência da inflação de serviços e dos efeitos indiretos da alta do petróleo sobre a atividade econômica e as expectativas de preços.
Ainda assim, os investidores voltaram a concentrar atenção nos fundamentos das empresas, especialmente no setor de tecnologia, impulsionados por resultados corporativos acima das expectativas e pela retomada do entusiasmo em torno da inteligência artificial.
Cenário Local
No Brasil, abril foi um mês de contrastes. A bolsa local iniciou o período sustentada por forte entrada de capital estrangeiro e chegou a se aproximar novamente das máximas históricas. No entanto, ao longo da segunda metade do mês, o movimento global de rotação para ativos ligados à tecnologia e inteligência artificial reduziu o interesse relativo por mercados mais associados a commodities, como o brasileiro.
O ambiente doméstico continuou sendo influenciado pela revisão altista das expectativas de inflação e juros, principalmente após a alta dos combustíveis e a persistência de pressões inflacionárias nos serviços. O Banco Central manteve o ciclo de política monetária restritivo, sinalizando cautela diante do cenário fiscal e da resiliência da atividade.
Mercados
Enquanto os principais índices internacionais foram impulsionados pela recuperação das empresas de tecnologia e pelas revisões positivas de lucro, o mercado local teve desempenho mais moderado, refletindo a maior sensibilidade às expectativas de inflação e juros domésticos.
Nos Estados Unidos, a temporada de resultados do primeiro trimestre trouxe números robustos, especialmente nas empresas ligadas à inteligência artificial e semicondutores, reforçando o movimento de valorização do setor de tecnologia.
Nesse contexto, os mercados internacionais registraram desempenho bastante positivo, com o MSCI AC avançando +10,03%, o S&P 500 subindo +10,42% e o MSCI EM registrando alta de +14,53%. O movimento foi particularmente forte nos mercados asiáticos ligados à cadeia global de semicondutores, como Coreia do Sul e Taiwan, beneficiados pela melhora nas perspectivas para empresas de tecnologia e pela revisão positiva de lucros globais.
Já no Brasil, os setores defensivos e financeiros ajudaram a sustentar o índice, enquanto empresas mais dependentes do ciclo doméstico e dos juros permaneceram pressionadas. Nesse cenário, o Ibovespa encerrou abril praticamente estável, com variação de -0,08%, refletindo um equilíbrio entre o fluxo estrangeiro positivo, a melhora dos lucros corporativos e o aumento das incertezas relacionadas ao cenário inflacionário e aos juros.
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