Após um longo período de onze elevações consecutivas entre 2022 e 2023, seguido por oito reuniões sem mudanças, o Federal Reserve (Banco Central dos EUA) finalmente reduziu a taxa de juros (Fed Funds Rate) em 0,50 pontos percentuais, colocando-a entre 4,75% e 5%. Esse movimento, considerado mais agressivo, foi impulsionado pelo enfraquecimento do mercado de trabalho. Em resposta, as bolsas globais reagiram de forma positiva.

Jerome Powell, presidente do Federal Reserve, fez questão de ressaltar que, embora a inflação não seja mais a maior preocupação, ela ainda não pode ser negligenciada, especialmente diante de questões geopolíticas e tendências recentes, como a “desglobalização” e a necessidade urgente de investimentos na transição energética global. A expectativa, no entanto, é que os cortes de juros continuem nos próximos meses, desde que não haja surpresas negativas nos índices de inflação. O foco agora se volta para evitar uma desaceleração econômica mais acentuada após um longo período de juros elevados.

No cenário internacional, o destaque do trimestre foi a China. O governo chinês, em conjunto com o Banco Central local, anunciou o maior pacote de estímulos desde a pandemia, trazendo otimismo renovado aos investidores. Esse movimento levou o índice CSI 300 (índice de ações da China) a registrar sua melhor semana desde 2008, com uma valorização de quase 16% na última semana de setembro, reforçando o apetite por oportunidades na segunda maior economia do mundo.

No Brasil, a combinação de fatores internos gerou uma “tempestade perfeita”, pressionando ainda mais as expectativas inflacionárias. A seca, que elevou os preços das commodities agrícolas, já começa a impactar as projeções de inflação. Paralelamente, a escassez hídrica levou à adoção da bandeira vermelha nível 2 nas tarifas de energia elétrica, a mais alta desde abril de 2022.

Além disso, o cenário fiscal preocupa. O Relatório de Receitas e Despesas do governo referente ao 4º bimestre mostrou uma expansão fiscal, com desbloqueio de despesas previamente contingenciadas e a inclusão de R$ 41 bilhões em despesas extraordinárias (relacionadas à seca e queimadas) fora do cálculo da meta fiscal. A combinação desse ambiente com uma economia aquecida, que registrou um crescimento do PIB de 1,4% no 2º trimestre de 2024 (bem acima do esperado), reforçou a necessidade de um ciclo de alta de juros para conter a inflação. O Banco Central respondeu aumentando a taxa básica de juros em 0,25 ponto percentual, elevando-a para 10,75% ao ano.

Renda Fixa

A curva de juros brasileira abriu, ou seja, a expectativa de juros futuros aumentou em função das preocupações com a inflação, impulsionadas pelo aumento dos gastos do governo. Um exemplo disso é o Tesouro IPCA+ 2035, que agora oferece um juro real de 6,4% ao ano, 0,2 p.p. acima do que foi observado no fechamento de agosto. Em contraste, a curva americana apresentou fechamento, reforçando o diferencial entre os mercados.

A relação de risco e retorno está se tornando cada vez mais favorável para os pós-fixados em comparação com as demais classes de ativos. Isso ocorre pelo aumento do retorno esperado, à medida que se confirma um cenário de elevação da taxa Selic para um valor próximo a 12% ao ano. Nesse contexto, a performance mensal dos ativos foi positiva para o CDI, com os resultados a seguir: CDI (Pós-Fixados) +0,83%, IMAB (Inflação) -0,67% e IRFM (Prefixados) +0,34%.

Multimercado

O índice IHFA, que mede o retorno médio dos fundos multimercado, registrou um desempenho positivo de +0,97% no mês (dados até 25/09).

Os fundos macro, principal subcategoria dessa classe de ativos, observamos uma redução na alocação ao “kit Brasil” (ativos em real, bolsa brasileira e curva de juros) e um aumento na exposição a ativos internacionais. Acreditamos no potencial de diversificação desses fundos, mas é crucial voltarem a contribuir consistentemente para o aumento do retorno esperado, além de reduzir o risco.

Renda Variável

O tão esperado corte de juros nos EUA finalmente aconteceu, com o Fed optando por uma redução de 0,50%. As bolsas globais reagiram de forma positiva, e o principal índice da bolsa americana subiu 2,0% no mês. No entanto, o Ibovespa recuou 3,1% em setembro, impactado pela perda de credibilidade fiscal e pela elevação das expectativas inflacionárias, apesar do estímulo chinês ao setor de commodities.

Cenário Externo

Abril foi marcado por uma forte recuperação dos mercados globais, mesmo em meio à continuidade das tensões no Oriente Médio e aos impactos do conflito entre Estados Unidos e Irã sobre os preços de energia. O petróleo permaneceu em níveis elevados ao longo do mês, sustentando preocupações inflacionárias e reduzindo o espaço para cortes de juros em diversas economias desenvolvidas.

Os bancos centrais seguiram adotando um discurso cauteloso, diante da persistência da inflação de serviços e dos efeitos indiretos da alta do petróleo sobre a atividade econômica e as expectativas de preços.

Ainda assim, os investidores voltaram a concentrar atenção nos fundamentos das empresas, especialmente no setor de tecnologia, impulsionados por resultados corporativos acima das expectativas e pela retomada do entusiasmo em torno da inteligência artificial.

Cenário Local

No Brasil, abril foi um mês de contrastes. A bolsa local iniciou o período sustentada por forte entrada de capital estrangeiro e chegou a se aproximar novamente das máximas históricas. No entanto, ao longo da segunda metade do mês, o movimento global de rotação para ativos ligados à tecnologia e inteligência artificial reduziu o interesse relativo por mercados mais associados a commodities, como o brasileiro.

O ambiente doméstico continuou sendo influenciado pela revisão altista das expectativas de inflação e juros, principalmente após a alta dos combustíveis e a persistência de pressões inflacionárias nos serviços. O Banco Central manteve o ciclo de política monetária restritivo, sinalizando cautela diante do cenário fiscal e da resiliência da atividade.

Mercados

Enquanto os principais índices internacionais foram impulsionados pela recuperação das empresas de tecnologia e pelas revisões positivas de lucro, o mercado local teve desempenho mais moderado, refletindo a maior sensibilidade às expectativas de inflação e juros domésticos.

Nos Estados Unidos, a temporada de resultados do primeiro trimestre trouxe números robustos, especialmente nas empresas ligadas à inteligência artificial e semicondutores, reforçando o movimento de valorização do setor de tecnologia.

Nesse contexto, os mercados internacionais registraram desempenho bastante positivo, com o MSCI AC avançando +10,03%, o S&P 500 subindo +10,42% e o MSCI EM registrando alta de +14,53%. O movimento foi particularmente forte nos mercados asiáticos ligados à cadeia global de semicondutores, como Coreia do Sul e Taiwan, beneficiados pela melhora nas perspectivas para empresas de tecnologia e pela revisão positiva de lucros globais.

Já no Brasil, os setores defensivos e financeiros ajudaram a sustentar o índice, enquanto empresas mais dependentes do ciclo doméstico e dos juros permaneceram pressionadas. Nesse cenário, o Ibovespa encerrou abril praticamente estável, com variação de -0,08%, refletindo um equilíbrio entre o fluxo estrangeiro positivo, a melhora dos lucros corporativos e o aumento das incertezas relacionadas ao cenário inflacionário e aos juros.

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