No cenário internacional, os holofotes estão voltados para as mudanças na política econômica dos Estados Unidos. O presidente Donald Trump começa a moldar sua equipe econômica com um tom mais moderado do que o discurso de campanha sugeria. Entre os destaques está a indicação de Scott Bessent, veterano de Wall Street, como Secretário do Tesouro. Sua visão prioriza o controle da dívida pública, alinhando-se à chamada “Regra 3-3-3”: reduzir o déficit fiscal para 3% do PIB, manter o crescimento econômico em 3% ao ano e expandir a produção de petróleo em 3 milhões de barris por dia.

Essa abordagem busca combinar crescimento econômico com baixa inflação, o que contrasta com o desempenho de outras regiões como a Zona do Euro, que enfrenta estagnação, e a China, que desacelera. A estratégia reforça a ideia do “excepcionalismo americano”: enquanto o restante do mundo lida com desafios de crescimento, os EUA seguem atraindo capital para ativos de risco.

No entanto, o Federal Reserve permanece cauteloso. A desinflação ocorre de forma irregular, exigindo precaução na condução da política monetária. Após um corte de 0,25% nos juros em novembro, há possibilidade de pausa em dezembro ou mesmo de encerramento do ciclo atual de flexibilização monetária, uma vez que a economia ainda demonstra força.

No Brasil, o governo finalmente apresentou um pacote de medidas para controlar o crescimento das despesas obrigatórias, como salários e benefícios sociais. Apesar de acertar na direção, o impacto estimado ficou aquém do esperado. O governo projeta uma economia de R$ 70 bilhões em 2025 e 2026, enquanto as estimativas do mercado sugerem algo entre R$ 40 bilhões e R$ 50 bilhões. No anúncio do pacote, o Ministro Haddad misturou o esperado corte de gastos, junto com medidas da Reforma da Renda, o aumento da faixa de isenção do imposto de renda e um imposto mínimo para "grandes fortunas".

A reação do mercado foi contundente. O dólar ultrapassou R$ 6,00, os juros futuros de 10 anos superaram 13% e o Ibovespa recuou para 124 mil pontos.

Renda Fixa

Com a expectativa de que a taxa Selic alcance patamares próximos a 14% ao longo de 2025, os investimentos atrelados ao CDI tornam-se ainda mais atrativos, especialmente para objetivos de curto prazo, como reservas de emergência ou gestão de caixa. No segmento de renda fixa indexada à inflação (IPCA+), as taxas atuais continuam bastante convidativas. Por exemplo, os títulos IPCA+ com taxas próximas de 7% ao ano, similares àquelas vistas pela última vez em 2014, tiveram desempenho superior ao CDI ao longo dos anos, apesar de apresentarem maior volatilidade, especialmente nos títulos com vencimento mais longo.

Neste ambiente, o CDI teve uma performance positiva de +0,79%, enquanto outros índices mostraram retornos variados: IMAB (Inflação) avançou +0,02% e IRFM (Prefixados) recuou -0,52%.

Multimercado

O índice IHFA, que reflete o retorno médio dos fundos multimercado, apresentou alta de +1,40% no mês. Essa classe de ativos continua sendo uma peça fundamental para carteiras bem estruturadas, oferecendo diversificação em diferentes cenários de mercado.

Entretanto, o desafio está na seleção criteriosa de gestores e fundos. Com o aumento do número de gestores e estratégias, a capacidade de identificar fundos consistentes e bem geridos é essencial. Uma escolha bem fundamentada pode fazer uma diferença significativa no desempenho ao longo do tempo.

Renda Variável

No mercado brasileiro, o Ibovespa encerrou o mês com uma queda de -3,12%. Apesar do recuo, as ações brasileiras continuam sendo negociadas a valuations atrativos, e os fundamentos corporativos permanecem sólidos. Empresas listadas têm apresentado lucros consistentes e recordes nos retornos de caixa para os acionistas. Contudo, o aumento esperado das taxas de juros pode pressionar as projeções de lucro para 2025, gerando um ambiente de maior cautela para investidores.

Nos Estados Unidos, o S&P 500 registrou um avanço de +5,72%, impulsionado pelo foco dos investidores nas eleições e nos resultados corporativos. A recente reeleição de Donald Trump como presidente trouxe um otimismo adicional para o mercado acionário norte-americano, mesmo com os valuations de muitas empresas em patamares elevados.

Cenário Externo

Abril foi marcado por uma forte recuperação dos mercados globais, mesmo em meio à continuidade das tensões no Oriente Médio e aos impactos do conflito entre Estados Unidos e Irã sobre os preços de energia. O petróleo permaneceu em níveis elevados ao longo do mês, sustentando preocupações inflacionárias e reduzindo o espaço para cortes de juros em diversas economias desenvolvidas.

Os bancos centrais seguiram adotando um discurso cauteloso, diante da persistência da inflação de serviços e dos efeitos indiretos da alta do petróleo sobre a atividade econômica e as expectativas de preços.

Ainda assim, os investidores voltaram a concentrar atenção nos fundamentos das empresas, especialmente no setor de tecnologia, impulsionados por resultados corporativos acima das expectativas e pela retomada do entusiasmo em torno da inteligência artificial.

Cenário Local

No Brasil, abril foi um mês de contrastes. A bolsa local iniciou o período sustentada por forte entrada de capital estrangeiro e chegou a se aproximar novamente das máximas históricas. No entanto, ao longo da segunda metade do mês, o movimento global de rotação para ativos ligados à tecnologia e inteligência artificial reduziu o interesse relativo por mercados mais associados a commodities, como o brasileiro.

O ambiente doméstico continuou sendo influenciado pela revisão altista das expectativas de inflação e juros, principalmente após a alta dos combustíveis e a persistência de pressões inflacionárias nos serviços. O Banco Central manteve o ciclo de política monetária restritivo, sinalizando cautela diante do cenário fiscal e da resiliência da atividade.

Mercados

Enquanto os principais índices internacionais foram impulsionados pela recuperação das empresas de tecnologia e pelas revisões positivas de lucro, o mercado local teve desempenho mais moderado, refletindo a maior sensibilidade às expectativas de inflação e juros domésticos.

Nos Estados Unidos, a temporada de resultados do primeiro trimestre trouxe números robustos, especialmente nas empresas ligadas à inteligência artificial e semicondutores, reforçando o movimento de valorização do setor de tecnologia.

Nesse contexto, os mercados internacionais registraram desempenho bastante positivo, com o MSCI AC avançando +10,03%, o S&P 500 subindo +10,42% e o MSCI EM registrando alta de +14,53%. O movimento foi particularmente forte nos mercados asiáticos ligados à cadeia global de semicondutores, como Coreia do Sul e Taiwan, beneficiados pela melhora nas perspectivas para empresas de tecnologia e pela revisão positiva de lucros globais.

Já no Brasil, os setores defensivos e financeiros ajudaram a sustentar o índice, enquanto empresas mais dependentes do ciclo doméstico e dos juros permaneceram pressionadas. Nesse cenário, o Ibovespa encerrou abril praticamente estável, com variação de -0,08%, refletindo um equilíbrio entre o fluxo estrangeiro positivo, a melhora dos lucros corporativos e o aumento das incertezas relacionadas ao cenário inflacionário e aos juros.

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