Carta do Consultor

A economia americana continuou mostrando um ritmo de crescimento robusto neste primeiro trimestre, acompanhado de uma inflação mais volátil, mas que segue em trajetória de desaceleração. O consumo americano mostrou recuperação em fevereiro, impulsionada principalmente pelos serviços e, em menor medida, pelos bens.

O mercado de trabalho segue como uma força vital para esse crescimento, garantindo um consumo robusto. Com a criação de 264 mil empregos nos últimos três meses e indicadores de desemprego e demissões apontando para uma economia forte, há uma pressão natural sobre a inflação.

Em março, o FOMC (comitê vinculado ao Banco Central Americano) destacou o crescimento econômico robusto e manteve a previsão de reduzir as taxas de juros três vezes ao longo do ano. A decisão foi vista com bons olhos pelo mercado, que temia uma postura mais rígida do Banco Central Americano.

No Brasil, a preocupação com as finanças públicas e a capacidade do governo de ajustar suas contas tem impactado os investimentos de risco. A inflação, levemente acima do esperado, veio com surpresas principalmente em categorias voláteis como alimentos.

O Banco Central, mantendo-se vigilante, reduziu a taxa Selic em 0,50 pontos percentuais, sinalizando uma abordagem mais cautelosa para os próximos cortes, dependendo da situação econômica até junho.

Renda Fixa

No mercado de renda fixa, o índice de destaque foi novamente o CDI, dadas as incertezas em torno da política monetária americana e as crescentes preocupações com a situação fiscal do Brasil e a capacidade do governo de gerar receitas extras e/ou cortar despesas. As taxas de juro reais de longo prazo aumentaram para 5,82% em março, acima dos 5,65% no final de fevereiro e dos 5,37% no final de 2023.

Sendo assim, novamente o CDI teve um desempenho superior na renda fixa: CDI (+0,83%), IMAB (+0,08%) e IRFM (+0,54%).

Multimercado

O índice IHFA apresentou um desempenho positivo, registrando uma rentabilidade de (+0,65%) até 26/03. No acumulado do ano, contudo, observou-se uma queda de +0,47%, enquanto nos últimos 12 meses apresentou uma alta de +8,95%.

Para fins de alocação, a posição busca capturar a gestão ativa, sobretudo em cesta de moedas e curvas de juros estrangeiras que usualmente não temos exposição direta. Continua sendo importante geradora de resultado por uma questão de diversificação.

Renda Variável

Foi um início de ano difícil para as ações brasileiras. O Ibovespa terminou o mês com desempenho negativo (-0,71%) e encerrou o 1T com queda de -4,53%. A preocupação com a situação fiscal do país e o ajuste nas expectativas de corte de juros nos EUA impactaram o mercado, levando a uma saída significativa de capital estrangeiro das ações brasileiras - R$ 24 bilhões saíram de ações brasileiras no primeiro trimestre de 2024, eliminando a maior parte dos R$ 38 bilhões de entradas em novembro & dezembro do ano passado.

Por fim, a melhora agora traz dúvidas sobre o ritmo de corte nas taxas de juros pelo Banco Central, com expectativas de manutenção em torno de 9% até o final de 2024.

O S&P 500 apresentou uma alta de 3,10% no mês, totalizando 10% em 2024. O resultado positivo foi fruto das expectativas de 3 cortes de juros pelo Fed, iniciando em junho, e a temática de inteligência artificial

Cenário Externo

Abril foi marcado por uma forte recuperação dos mercados globais, mesmo em meio à continuidade das tensões no Oriente Médio e aos impactos do conflito entre Estados Unidos e Irã sobre os preços de energia. O petróleo permaneceu em níveis elevados ao longo do mês, sustentando preocupações inflacionárias e reduzindo o espaço para cortes de juros em diversas economias desenvolvidas.

Os bancos centrais seguiram adotando um discurso cauteloso, diante da persistência da inflação de serviços e dos efeitos indiretos da alta do petróleo sobre a atividade econômica e as expectativas de preços.

Ainda assim, os investidores voltaram a concentrar atenção nos fundamentos das empresas, especialmente no setor de tecnologia, impulsionados por resultados corporativos acima das expectativas e pela retomada do entusiasmo em torno da inteligência artificial.

Cenário Local

No Brasil, abril foi um mês de contrastes. A bolsa local iniciou o período sustentada por forte entrada de capital estrangeiro e chegou a se aproximar novamente das máximas históricas. No entanto, ao longo da segunda metade do mês, o movimento global de rotação para ativos ligados à tecnologia e inteligência artificial reduziu o interesse relativo por mercados mais associados a commodities, como o brasileiro.

O ambiente doméstico continuou sendo influenciado pela revisão altista das expectativas de inflação e juros, principalmente após a alta dos combustíveis e a persistência de pressões inflacionárias nos serviços. O Banco Central manteve o ciclo de política monetária restritivo, sinalizando cautela diante do cenário fiscal e da resiliência da atividade.

Mercados

Enquanto os principais índices internacionais foram impulsionados pela recuperação das empresas de tecnologia e pelas revisões positivas de lucro, o mercado local teve desempenho mais moderado, refletindo a maior sensibilidade às expectativas de inflação e juros domésticos.

Nos Estados Unidos, a temporada de resultados do primeiro trimestre trouxe números robustos, especialmente nas empresas ligadas à inteligência artificial e semicondutores, reforçando o movimento de valorização do setor de tecnologia.

Nesse contexto, os mercados internacionais registraram desempenho bastante positivo, com o MSCI AC avançando +10,03%, o S&P 500 subindo +10,42% e o MSCI EM registrando alta de +14,53%. O movimento foi particularmente forte nos mercados asiáticos ligados à cadeia global de semicondutores, como Coreia do Sul e Taiwan, beneficiados pela melhora nas perspectivas para empresas de tecnologia e pela revisão positiva de lucros globais.

Já no Brasil, os setores defensivos e financeiros ajudaram a sustentar o índice, enquanto empresas mais dependentes do ciclo doméstico e dos juros permaneceram pressionadas. Nesse cenário, o Ibovespa encerrou abril praticamente estável, com variação de -0,08%, refletindo um equilíbrio entre o fluxo estrangeiro positivo, a melhora dos lucros corporativos e o aumento das incertezas relacionadas ao cenário inflacionário e aos juros.

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