O mercado continua monitorando os eventos no cenário político, com a desistência de Biden e a elevação de Kamala Harris à disputa pela presidência, revelando um processo que será volátil e com mais desafios para Trump. Ele ainda lidera a corrida, mas deve enfrentar uma disputa mais acirrada.

No lado macroeconômico, o PIB cresceu 2,8% anualizado no 2º trimestre de 2024, superando as estimativas do mercado. O consumo foi o principal suporte desse crescimento. Além disso, o mercado de trabalho permanece saudável, e mesmo o ambiente de juros altos não tem sido suficiente para impedir o momento favorável dos investimentos.

Na política monetária, o FOMC optou por manter estável a taxa de juros, como esperado. No entanto, Jerome Powell adotou uma comunicação mais otimista do que anteriormente, equilibrando os riscos entre o cenário de inflação e o mercado de trabalho. Ele sugeriu que, se os dados evoluírem conforme esperado, pode ser apropriado cortar os juros já em setembro.

Na Europa, a recuperação econômica desacelera, com um crescimento de 0,2% no 2º trimestre de 2024, e o BCE mantém uma postura cautelosa. Na China, indicadores fracos e desafios no setor imobiliário resultaram em um corte na taxa de juros local, com a previsão de crescimento do PIB reduzida para 2024.

No Brasil, a primeira metade de julho foi impulsionada por uma melhora no cenário macroeconômico externo e uma descompressão de riscos domésticos. Internamente, o ruído fiscal se reduziu em relação a junho, e os mercados reagiram positivamente à sinalização do governo de seu compromisso em atingir a meta fiscal, anunciando um corte de R$ 25,9 bilhões nas despesas obrigatórias para o orçamento de 2025. A segunda parte do mês foi menos positiva, com os índices caindo devido a novos ruídos fiscais. O congelamento de gastos de R$ 15 bilhões pelo governo foi um sinal positivo, mas ainda considerado insuficiente, deixando o mercado incerto sobre a capacidade do governo em atingir a meta.

Renda Fixa

Sem novidades significativas na trajetória da dívida pública e com a contínua queda dos preços das commodities de exportação, o Real já depreciou cerca de -15% no ano, sendo negociado a R$ 5,78 recentemente. Este cenário negativo afeta as expectativas de inflação, projetadas em torno de 4,0% para o final de 2025, e pressiona a curva de juros a precificar possíveis elevações na taxa Selic ainda este ano.

Por outro lado, a expectativa de corte de juros nos EUA aliviou a pressão nos juros futuros do Brasil, resultando em um desempenho positivo para a renda fixa: CDI (Pós-Fixados) +0,91%, IMAB (Inflação) +2,09%, e IRFM (Prefixados) +1,34%.

Multimercado

O índice IHFA apresentou um desempenho positivo, registrando uma rentabilidade de +1,25% no mês (30/07).

Um ponto importante, é que os fundos multimercados estão vivendo a pior janela da sua história. A classe de ativos teve um resgate líquido de R$ 82,7 bilhões nos seis primeiros meses do ano – o desempenho mais baixo para o período registrado na última década. Podemos destacar que o desempenho baixo registrado pela classe em janelas mais curtas e o movimento de investidores para investimento isentos em renda fixa são os principais motivadores.

Para fins de alocação, a posição visa capturar a gestão ativa, sobretudo em cestas de moedas e curvas de juros estrangeiras às quais usualmente não temos exposição direta. Continua sendo uma importante geradora de resultados por proporcionar maior diversificação às carteiras.

Renda Variável

O Ibovespa encerrou o mês de julho com alta de 3,0%, recuperando parte das quedas acumuladas no ano. O índice ainda apresenta um desempenho negativo de -4,9% em reais e -18,2% em dólares no acumulado do ano, o que o torna o mercado acionário de pior desempenho na região.

Após muito ceticismo com o equilíbrio fiscal, o presidente Lula e sua equipe econômica finalmente começaram a mostrar sinais de contenção de gastos, prometendo ao mercado cortes da ordem de R$ 15 bilhões no orçamento. Isso não resolve os problemas, mas é um começo e foi bem recebido pelos investidores. As notícias vindas dos Estados Unidos também ajudaram. Dados de inflação e de atividade mostraram desaceleração, aumentando as perspectivas de cortes de juros mais cedo e com maior intensidade pelo Fed.

Essa expectativa tem provocado um giro nas carteiras dos investidores, conhecido como "rotation trade". Com os juros elevados, os investidores preferiam deixar seu dinheiro em renda fixa norte-americana ou nas big techs. Com a perspectiva de queda de rendimento, parte deles começou a migrar o portfólio para ativos mais arriscados, como as microcaps locais (empresas menores).

Esse pode ser um tema relevante para nós num futuro próximo, porque, se os juros por lá realmente continuarem caindo, em algum momento a tese do “rotation” deverá chegar aos países emergentes e, consequentemente, aos ativos brasileiros.

Cenário Externo

Abril foi marcado por uma forte recuperação dos mercados globais, mesmo em meio à continuidade das tensões no Oriente Médio e aos impactos do conflito entre Estados Unidos e Irã sobre os preços de energia. O petróleo permaneceu em níveis elevados ao longo do mês, sustentando preocupações inflacionárias e reduzindo o espaço para cortes de juros em diversas economias desenvolvidas.

Os bancos centrais seguiram adotando um discurso cauteloso, diante da persistência da inflação de serviços e dos efeitos indiretos da alta do petróleo sobre a atividade econômica e as expectativas de preços.

Ainda assim, os investidores voltaram a concentrar atenção nos fundamentos das empresas, especialmente no setor de tecnologia, impulsionados por resultados corporativos acima das expectativas e pela retomada do entusiasmo em torno da inteligência artificial.

Cenário Local

No Brasil, abril foi um mês de contrastes. A bolsa local iniciou o período sustentada por forte entrada de capital estrangeiro e chegou a se aproximar novamente das máximas históricas. No entanto, ao longo da segunda metade do mês, o movimento global de rotação para ativos ligados à tecnologia e inteligência artificial reduziu o interesse relativo por mercados mais associados a commodities, como o brasileiro.

O ambiente doméstico continuou sendo influenciado pela revisão altista das expectativas de inflação e juros, principalmente após a alta dos combustíveis e a persistência de pressões inflacionárias nos serviços. O Banco Central manteve o ciclo de política monetária restritivo, sinalizando cautela diante do cenário fiscal e da resiliência da atividade.

Mercados

Enquanto os principais índices internacionais foram impulsionados pela recuperação das empresas de tecnologia e pelas revisões positivas de lucro, o mercado local teve desempenho mais moderado, refletindo a maior sensibilidade às expectativas de inflação e juros domésticos.

Nos Estados Unidos, a temporada de resultados do primeiro trimestre trouxe números robustos, especialmente nas empresas ligadas à inteligência artificial e semicondutores, reforçando o movimento de valorização do setor de tecnologia.

Nesse contexto, os mercados internacionais registraram desempenho bastante positivo, com o MSCI AC avançando +10,03%, o S&P 500 subindo +10,42% e o MSCI EM registrando alta de +14,53%. O movimento foi particularmente forte nos mercados asiáticos ligados à cadeia global de semicondutores, como Coreia do Sul e Taiwan, beneficiados pela melhora nas perspectivas para empresas de tecnologia e pela revisão positiva de lucros globais.

Já no Brasil, os setores defensivos e financeiros ajudaram a sustentar o índice, enquanto empresas mais dependentes do ciclo doméstico e dos juros permaneceram pressionadas. Nesse cenário, o Ibovespa encerrou abril praticamente estável, com variação de -0,08%, refletindo um equilíbrio entre o fluxo estrangeiro positivo, a melhora dos lucros corporativos e o aumento das incertezas relacionadas ao cenário inflacionário e aos juros.

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