Um tom mais positivo para os mercados financeiros globais em 2023. Essa parece ser a mensagem transmitida pelos preços dos ativos neste início de ano. Alguns fatores ajudam a explicar boa performance da classe de renda variável em janeiro.

-   Nos EUA está em curso uma reavaliação da trajetória de inflação projetada a partir de dados mais benignos do que esperado pelo terceiro mês consecutivo. Isso tem estimulado apostas de que o pico dos juros nos EUA tenham ficado para trás.

-   Já na Europa, um inverno quente está exercendo pressão de baixa nos preços de energia ajudando a aliviar pressões inflacionárias e restrições de oferta, por sua vez resultando em uma expectativa de recessão mais amena.

-   Por último, a reabertura da China pós-covid mais cedo e rápido do que se esperava, gerou expectativas mais otimistas sobre a recuperação da atividade econômica, com impactos globais potencialmente relevantes sobre crescimento e preços de commodities.

Brasil

No Brasil, os ativos do país não acompanharam na mesma medida o “rally” de risco e o momento favorável a países emergentes diante do ruído verificado no início do mandato do novo governo. Em parte, foi marcado por ameaças fracassadas de ruptura institucional em 8 de janeiro e por sinalizações pouco eficazes da nova diretriz econômica (sem uma clara proposta de nova âncora fiscal).

Além da falta de urgência no avanço na definição do novo regime fiscal, presenciamos debates sobre a independência do banco central, criação de uma moeda comum entre Brasil e Argentina, mudança de metas do banco central, aumento da isenção na tabela do imposto de renda e eventual financiamento do BNDES para obras na América Latina.

Ao mesmo tempo, o caso Americanas (anúncio de problemas contábeis e subsequente pedido de Recuperação Judicial) criou um movimento de aversão a risco e redução de liquidez na economia real que deve afetar parte relevante do setor de varejo brasileiro.

EUA

Os dados mais recentes continuam indicando uma desaceleração da economia americana, principalmente com o arrefecimento recente da inflação. A economia mostra sinais de exaustão de consumo, em especial do setor de bens, adentrando um ano de expectativa de menor crescimento.

Por outro lado, essa desaceleração ainda não refletiu no mercado de trabalho, que segue apertado (1,92 vaga aberta por desempregado), principalmente com payroll ainda significativamente acima da média histórica.

Neste mês, observamos com cautela a narrativa de mercado de que a economia global não vai desacelerar muito e ainda assim a inflação vai permanecer em uma trajetória comportada nos próximos meses ao ponto de abrir espaço para cortes de juros pelos principais Bancos Centrais ainda esse ano.

Europa

O continente mostra recuperação nos indicadores de confiança e expectativas, alinhada a um movimento se de queda do preço do gás na Europa, em consequência de um inverno mais ameno, além da reabertura de China gerando realocação global para ativos ex-US e um ambiente pró-risco em mercados globais.

China

Os dados de atividade econômica de dezembro ficaram acima das expectativas e mostraram uma recuperação mais acentuada da economia. Os indicadores de alta frequência seguem mostrando que esta recuperação vem sendo sustentável em janeiro. Esse cenário otimista pode ser explicado pelo processo de reabertura mais rápida do que o esperado, com retomada da mobilidade social e das atividades de lazer – em especial no seu feriado de Ano Novo Lunar.

Simplesmente o protocolo de restrição da doença foi abandonado da noite para o dia, permitindo que uma enorme onda da doença se desenvolvesse, a qual já mostra alguns sinais de dissipação. De modo geral, a rápida decisão, em conjunto com declarações e ações de estímulo do governo, fez com que as expectativas para a economia chinesa fossem revistadas para cima.

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Cenário Externo

Abril foi marcado por uma forte recuperação dos mercados globais, mesmo em meio à continuidade das tensões no Oriente Médio e aos impactos do conflito entre Estados Unidos e Irã sobre os preços de energia. O petróleo permaneceu em níveis elevados ao longo do mês, sustentando preocupações inflacionárias e reduzindo o espaço para cortes de juros em diversas economias desenvolvidas.

Os bancos centrais seguiram adotando um discurso cauteloso, diante da persistência da inflação de serviços e dos efeitos indiretos da alta do petróleo sobre a atividade econômica e as expectativas de preços.

Ainda assim, os investidores voltaram a concentrar atenção nos fundamentos das empresas, especialmente no setor de tecnologia, impulsionados por resultados corporativos acima das expectativas e pela retomada do entusiasmo em torno da inteligência artificial.

Cenário Local

No Brasil, abril foi um mês de contrastes. A bolsa local iniciou o período sustentada por forte entrada de capital estrangeiro e chegou a se aproximar novamente das máximas históricas. No entanto, ao longo da segunda metade do mês, o movimento global de rotação para ativos ligados à tecnologia e inteligência artificial reduziu o interesse relativo por mercados mais associados a commodities, como o brasileiro.

O ambiente doméstico continuou sendo influenciado pela revisão altista das expectativas de inflação e juros, principalmente após a alta dos combustíveis e a persistência de pressões inflacionárias nos serviços. O Banco Central manteve o ciclo de política monetária restritivo, sinalizando cautela diante do cenário fiscal e da resiliência da atividade.

Mercados

Enquanto os principais índices internacionais foram impulsionados pela recuperação das empresas de tecnologia e pelas revisões positivas de lucro, o mercado local teve desempenho mais moderado, refletindo a maior sensibilidade às expectativas de inflação e juros domésticos.

Nos Estados Unidos, a temporada de resultados do primeiro trimestre trouxe números robustos, especialmente nas empresas ligadas à inteligência artificial e semicondutores, reforçando o movimento de valorização do setor de tecnologia.

Nesse contexto, os mercados internacionais registraram desempenho bastante positivo, com o MSCI AC avançando +10,03%, o S&P 500 subindo +10,42% e o MSCI EM registrando alta de +14,53%. O movimento foi particularmente forte nos mercados asiáticos ligados à cadeia global de semicondutores, como Coreia do Sul e Taiwan, beneficiados pela melhora nas perspectivas para empresas de tecnologia e pela revisão positiva de lucros globais.

Já no Brasil, os setores defensivos e financeiros ajudaram a sustentar o índice, enquanto empresas mais dependentes do ciclo doméstico e dos juros permaneceram pressionadas. Nesse cenário, o Ibovespa encerrou abril praticamente estável, com variação de -0,08%, refletindo um equilíbrio entre o fluxo estrangeiro positivo, a melhora dos lucros corporativos e o aumento das incertezas relacionadas ao cenário inflacionário e aos juros.

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