O indicador norte-americano de inflação mostrou uma aceleração de 0,4% dos preços em março, acima das expectativas de mercado, de 0,3%. Esse dado alimentou ainda mais as dúvidas sobre o esperado início dos cortes de juros nos EUA.

Atualmente, os EUA mantêm as taxas de juros entre 5,25% e 5,5% ao ano, nível mais alto em mais de duas décadas. Vale lembrar que essa taxa serve de referência para a renda fixa americana, ou seja, os rendimentos dos ativos conservadores da maior economia do mundo estão no ápice em pelo menos 20 anos.

Essa situação tem impactado negativamente a renda variável em mercados emergentes, pois investidores estrangeiros tendem a retirar investimentos de ativos de maior risco, preferindo realocar capital em títulos do Tesouro dos EUA. Para mudar esse cenário, seria crucial o início dos cortes de juros nos EUA, mas para isso a inflação americana precisa dar sinais de desaceleração. O que ainda não aconteceu.

Após a divulgação da inflação acima do esperado, analistas de mercado tiveram que revisar suas projeções, adiando a expectativa para o primeiro corte de juros nos EUA de maio para setembro, ou até mesmo para o próximo ano.

Além disso, o mês foi marcado por tensões geopolíticas entre Irã e Israel, que influenciaram os mercados globais ao elevar os preços de commodities, incluindo o petróleo, e intensificar a procura por ativos considerados seguros, como o dólar.

No cenário interno, as questões fiscais também pesaram sobre o câmbio e fizeram as expectativas dos juros futuros subirem. O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, confirmou as mudanças nas metas fiscais estabelecidas no arcabouço fiscal no ano passado. Antes, o objetivo era zerar o déficit este ano e buscar um superávit de 0,5% em 2025. Agora, o governo trabalha com um possível déficit de 0,25% para 2024 e zerar o déficit no próximo ano.

Renda Fixa

A preocupação com o descontrole das contas públicas e percepção de aumento de risco devido ao cenário inflacionário norte-americano, influenciou os preços dos ativos. Por exemplo, o rendimento do Tesouro IPCA+ ultrapassou 6% ao ano, um nível geralmente associado a períodos de crise econômica.

Nesse contexto, o CDI destacou-se na renda fixa com desempenhos de: CDI (+0,85%), IMAB (-1,46%) e IRFM (-0,44%).

Multimercado

O índice IHFA apresentou um desempenho negativo, registrando uma rentabilidade de (-0,97%) até 29/04. No acumulado do ano, contudo, observou-se um aumento de +0,08%, enquanto nos últimos 12 meses apresentou uma alta de +7,23%.

Para fins de alocação, a posição busca capturar a gestão ativa, sobretudo em cesta de moedas e curvas de juros estrangeiras que usualmente não temos exposição direta. Continua sendo importante geradora de resultado por uma questão de diversificação.

Renda Variável

O Ibovespa encerrou o mês em queda, com uma desvalorização de 1,70%, fechando em 125.924,19 pontos. Entre os dias 1 e 9 de abril, o índice até mostrou uma recuperação, subindo 1,39% para 129,8 mil pontos, o maior nível desde fevereiro. Contudo, a publicação dos dados de inflação dos EUA e a revisão da meta fiscal deterioraram o ânimo dos investidores, provocando uma queda acentuada. Apenas entre 1 e 26 de abril, os investidores estrangeiros retiraram R$ 10,6 bilhões da B3, resultando em um fluxo negativo de R$ 32,5 bilhões no acumulado do ano. O S&P 500 também fechou em baixa, com uma queda de 2,40%.

Cenário Externo

Abril foi marcado por uma forte recuperação dos mercados globais, mesmo em meio à continuidade das tensões no Oriente Médio e aos impactos do conflito entre Estados Unidos e Irã sobre os preços de energia. O petróleo permaneceu em níveis elevados ao longo do mês, sustentando preocupações inflacionárias e reduzindo o espaço para cortes de juros em diversas economias desenvolvidas.

Os bancos centrais seguiram adotando um discurso cauteloso, diante da persistência da inflação de serviços e dos efeitos indiretos da alta do petróleo sobre a atividade econômica e as expectativas de preços.

Ainda assim, os investidores voltaram a concentrar atenção nos fundamentos das empresas, especialmente no setor de tecnologia, impulsionados por resultados corporativos acima das expectativas e pela retomada do entusiasmo em torno da inteligência artificial.

Cenário Local

No Brasil, abril foi um mês de contrastes. A bolsa local iniciou o período sustentada por forte entrada de capital estrangeiro e chegou a se aproximar novamente das máximas históricas. No entanto, ao longo da segunda metade do mês, o movimento global de rotação para ativos ligados à tecnologia e inteligência artificial reduziu o interesse relativo por mercados mais associados a commodities, como o brasileiro.

O ambiente doméstico continuou sendo influenciado pela revisão altista das expectativas de inflação e juros, principalmente após a alta dos combustíveis e a persistência de pressões inflacionárias nos serviços. O Banco Central manteve o ciclo de política monetária restritivo, sinalizando cautela diante do cenário fiscal e da resiliência da atividade.

Mercados

Enquanto os principais índices internacionais foram impulsionados pela recuperação das empresas de tecnologia e pelas revisões positivas de lucro, o mercado local teve desempenho mais moderado, refletindo a maior sensibilidade às expectativas de inflação e juros domésticos.

Nos Estados Unidos, a temporada de resultados do primeiro trimestre trouxe números robustos, especialmente nas empresas ligadas à inteligência artificial e semicondutores, reforçando o movimento de valorização do setor de tecnologia.

Nesse contexto, os mercados internacionais registraram desempenho bastante positivo, com o MSCI AC avançando +10,03%, o S&P 500 subindo +10,42% e o MSCI EM registrando alta de +14,53%. O movimento foi particularmente forte nos mercados asiáticos ligados à cadeia global de semicondutores, como Coreia do Sul e Taiwan, beneficiados pela melhora nas perspectivas para empresas de tecnologia e pela revisão positiva de lucros globais.

Já no Brasil, os setores defensivos e financeiros ajudaram a sustentar o índice, enquanto empresas mais dependentes do ciclo doméstico e dos juros permaneceram pressionadas. Nesse cenário, o Ibovespa encerrou abril praticamente estável, com variação de -0,08%, refletindo um equilíbrio entre o fluxo estrangeiro positivo, a melhora dos lucros corporativos e o aumento das incertezas relacionadas ao cenário inflacionário e aos juros.

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