O que aconteceu na economia? | Março de 2026

Cenário Externo

O mês de março foi marcado por uma mudança brusca de humor nos mercados internacionais, impulsionada principalmente pela escalada do conflito no Oriente Médio. O evento trouxe incertezas relevantes, especialmente após o fechamento do Estreito de Ormuz, uma rota estratégica para o transporte global de petróleo, elevando significativamente os preços da commodity. O preço internacional do barril do petróleo acumulou forte valorização no período, refletindo o receio de um choque de oferta com impactos diretos sobre a inflação global.

Esse ambiente gerou uma reprecificação importante das expectativas de política monetária no que tange ao corte de juros das principais economias do mundo. Nos Estados Unidos, o Federal Reserve manteve os juros estáveis, mas com uma comunicação mais cautelosa, sinalizando menor disposição para cortes no curto prazo. Como consequência, as taxas de juros globais subiram, pressionando ativos de renda variável de uma forma geral.

Cenário Local

No Brasil, o cenário doméstico foi fortemente influenciado pelo contexto global, embora com algumas particularidades. A alta dos preços de energia impactou diretamente as expectativas de inflação, levando a uma reavaliação do ritmo de cortes da taxa Selic. O Banco Central iniciou o ciclo de corte com uma redução de 0,25 ponto percentual, adotando uma postura cautelosa diante das incertezas externas.

Apesar desse ambiente mais desafiador, a bolsa brasileira demonstrou resiliência relativa. Um dos principais fatores foi o fluxo estrangeiro positivo, que permaneceu consistente ao longo do mês, superando R$ 8 bilhões segundo dados disponíveis. Esse movimento foi favorecido tanto pela atratividade relativa do Brasil quanto pela sua posição como exportador de commodities, especialmente petróleo.

Além disso, fatores políticos também começaram a ganhar relevância, com o avanço das discussões eleitorais influenciando expectativas de longo prazo. Ainda assim, o mês foi marcado por maior volatilidade e por uma percepção de risco mais elevada, especialmente nos ativos mais sensíveis ao cenário doméstico.

Renda Fixa

O mercado de renda fixa refletiu de forma clara a mudança no ambiente macroeconômico. A combinação de choque de oferta global, pressão inflacionária e maior incerteza levou a uma abertura expressiva da curva de juros, tanto no Brasil quanto no exterior.

No cenário local, esse movimento foi mais intenso nos prazos intermediários e longos, impactando negativamente os ativos de maior vencimento. Os índices prefixados apresentaram desempenho negativo, com o IRF-M recuando -0,59%, enquanto os títulos atrelados à inflação tiveram performance mais moderada, com o IMA-B registrando leve alta de +0,17%. Já o CDI apresentou retorno positivo de +1,21% no mês.

Esse comportamento reflete a reprecificação das expectativas para a trajetória da política monetária. O mercado passou a incorporar um ritmo mais lento de cortes de juros, diante da pressão inflacionária impulsionada principalmente do setor de energia. Como resultado, ativos mais conservadores e de menor vencimento voltaram a ganhar destaque relativo no período.

Renda Variável

Os mercados de renda variável enfrentaram um mês desafiador, com quedas disseminadas ao redor do mundo. Globalmente, o movimento foi marcado por uma rotação setorial clara, com investidores reduzindo exposição a ativos mais arriscados e buscando maior proteção em setores defensivos ou ligados a commodities.

Nos Estados Unidos, o S&P 500 caiu -5,0%, refletindo tanto a alta dos juros quanto as incertezas sobre crescimento e inflação. O desempenho negativo também foi observado em outras regiões, com destaque para os mercados emergentes, onde o MSCI EM recuou -13,3%. O MSCI AC, índice global amplo, apresentou queda de -7,4%.

No Brasil, apesar da queda do Ibovespa (-0,70%), o desempenho foi relativamente melhor quando comparado a outros mercados emergentes. Esse comportamento pode ser explicado, em parte, pela composição da bolsa brasileira, mais exposta a setores beneficiados pela alta das commodities, como petróleo.

O fluxo estrangeiro também teve papel importante na sustentação do mercado local, mantendo-se positivo mesmo em momentos de maior estresse. No entanto, setores mais sensíveis ao ciclo doméstico, como consumo e construção, sofreram com a revisão das expectativas de juros.

De forma geral, março foi um mês de inflexão, marcado por maior cautela dos investidores e por uma reprecificação relevante dos ativos diante de um cenário global mais incerto e desafiador.

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Luiz Forelli

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