O que aconteceu na economia? | Janeiro de 2026

Cenário Externo

Janeiro de 2026 foi marcado por um ambiente global mais favorável a ativos fora do eixo tradicional dos Estados Unidos, em especial nos mercados emergentes. A combinação entre tensões geopolíticas provocadas pela política externa americana, o uso recorrente de tarifas como instrumento de negociação e questionamentos institucionais sobre a independência do Federal Reserve contribuiu para um movimento de redução da exposição ao dólar. Esse cenário ficou evidente na queda do DXY ao longo do mês e na busca por alternativas de proteção, como o ouro, que alcançou patamares historicamente elevados, e o petróleo, que acumulou valorização superior a 15% em dólar até o último dia útil de janeiro.

Ainda que a indicação de Kevin Warsh feita pelo presidente Donald Trump para a presidência do Fed (um nome técnico e menos radical), ao fim do mandato de Jerome Powell, tenha trazido algum alívio pontual aos mercados, o pano de fundo seguiu sendo de maior cautela em relação aos Estados Unidos e de diversificação global de portfólios.

Cenário Local

No Brasil, o reflexo desse contexto externo foi bastante positivo. Com o dólar globalmente mais fraco e a alta das commodities energéticas, o real apresentou forte apreciação ao longo do mês, chegando a ser negociado abaixo de R$ 5,20, o menor nível desde maio de 2024. Até o fim de janeiro, a moeda brasileira registrava a melhor performance entre as principais moedas emergentes em 2026. Esse movimento cambial favorável ajudou a reforçar a percepção de melhora no quadro inflacionário, com as expectativas de reduzindo gradualmente a distância em relação à meta.

Ainda assim, o Banco Central optou por uma postura cautelosa. O Copom manteve a taxa Selic em 15% ao ano, mas sinalizou que o início do ciclo de cortes deve ocorrer na próxima reunião, em março, condicionando a magnitude desse movimento à evolução mais clara dos dados de atividade, em especial do mercado de trabalho. A autoridade monetária deixou explícito que, apesar dos avanços, ainda busca maior segurança na convergência da inflação antes de acelerar a flexibilização.

Renda Fixa

No mercado de renda fixa, janeiro foi marcado por um fechamento relevante das taxas ao longo de toda a curva de juros prefixados, refletindo tanto o ambiente externo benigno quanto a melhora das expectativas domésticas.

A curva passou a incorporar, de forma mais consistente, o início próximo do ciclo de cortes da Selic, ainda que em ritmo gradual. O CDI apresentou retorno de +1,16% no mês, enquanto o IRFM registrou 1,96% e o IMA-B teve performance de 1,00%. Os títulos atrelados à inflação se beneficiaram do fechamento dos juros reais, especialmente nos vértices intermediários e longos, enquanto os prefixados capturaram o movimento de compressão das taxas nominais. Já os ativos pós-fixados seguiram oferecendo carregamento elevado, em um contexto de Selic ainda restritiva, embora historicamente esse tipo de instrumento tenda a perder atratividade relativa à medida que o ciclo de cortes se aproxima.

Renda Variável

Na renda variável, o mês também foi positivo, especialmente para mercados emergentes. O fluxo de capital estrangeiro seguiu intenso em direção a essas regiões, beneficiando diretamente a bolsa brasileira. O Ibovespa acumulou alta de 12,97% em janeiro, impulsionado tanto pela entrada de recursos externos quanto pela percepção de que o início do ciclo de cortes de juros tende a favorecer empresas mais ligadas à economia doméstica. No exterior, o MSCI AC World apresentou variação de +2,83%, o S&P 500 teve desempenho de +1,37%, enquanto o MSCI Emerging Markets avançou +8,02%.

Nos Estados Unidos, a temporada de resultados do quarto trimestre começou de forma sólida, com crescimento expressivo de lucros em setores como tecnologia e indústria, ainda que dúvidas sobre a sustentabilidade desses resultados e sobre os investimentos em inteligência artificial tenham gerado volatilidade pontual em algumas ações.

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Rafael Bezerra

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